A primeira vez que tive coragem de ir ao supermercado após a separação, rendeu vários questionamentos e entendimentos. Em primeiro lugar o sinal de cura, pois, após semanas de geladeira vazia e despensa largada aos bichos surge, pela primeira vez, o desejo de buscar mantimentos para o lar refeito. O resultado disso é outro aspecto positivo, pois se não havia comida é porque eu não comia. Em pouco tempo se consegue resultados visíveis a uma velocidade de dois quilos por semana. Os comentários são os mais variados: “ta caidaço, com AIDS, fez regime” e sai até um “tá elegante”. A barriga some e a papada debaixo do queixo desaparece como num passe cirúrgico. Mas, voltando às compras, lembrei que isso acontecia no início do relacionamento e, naquela época, comprávamos vinhos, muitos vinhos, cigarros, lasanhas, e espaguete que era feito com molho branco. Havia os chocolates para recuperar a energia pós horas trancados entre suores e banhos revigorantes.
A primeira limitação que percebi ao passear pelo mercado foi o peso. Como o carro se foi junto com o amor, agora precisaria pensar muito bem no que levar, pois tudo o que tinha era uma mochila e o espaço reservado para o capacete debaixo do banco de uma lambretinha Honda Biz. À medida que ia colocando as mercadorias no cesto percebi que o volume também era importante. Embalagens espalhafatosas não são bem-vindas. Caixas e bandejas devem ser substituídas por embalagens que moldam a mercadoria. Então, desta vez, vi-me cercado de cuidados básicos que vão muito além do valor das mercadorias e do total das compras. Mas, devo lembrar, as necessidades diminuíram pela metade. Não preciso mais me preocupar com as coisas que ela gostava ou julgava insubstituíveis. Essa sensação de liberdade veio acompanhada com uma sobra considerável de dinheiro, que pude reverter em caprichos que há anos não me permitia. Mas, devo confessar que volta e meia vi-me pelos corredores olhando preços de Aveia Quaker, Farinha Láctea e Bibs, a mudança não é tão radical quanto queremos. De qualquer sorte, o aprendizado foi apresentado de maneira prática, experiencial. Ao passar pelo caixa, entendi que comprar faz bem ao coração. Saí do mercado feliz e com vontade de voltar.
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