E agora?
Depois de dez anos de certezas, cheguei a conclusão de que nossas convicções, de uma hora para outra, são jogadas na lata do lixo. Projetar uma vida com alguém é tão débil quanto marcar um encontro sem avisar o outro. No final de 2009, terminou uma história de amor e paixão que começou no milenio passado. Não bastaram as determinações, nem tampouco as dedicações para algo que, até então, eu julgava eterna. Talvez esse tenha sido o erro, considerar perenes coisas efêmeras. O golpe, porém é forte demais, quase mais do que possamos suportar e, a dor, esta sim, nos faz prostar, refazer nossas certezas e pensar que a humildade adiada, agora, vem independentemente de nossa vontade. Assim, com o coração em feridas, e pústulas e perebas das mais variadas e desconhecidas, resolvo, neste ato ou, neste blog, declarar minha falência múltipla. Uma falência de homem, marido, amante e companheiro. Mas, a dor tem que ter um lugar, eis então, que desencavo de minhas reminiscencias um romance planejado racionalmente, onde agora, despejo, toda e qualquer amargura. Com vocês, minha história ou, se preferirem, minhas histórias.
"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
ResponderEliminarMiguel Sousa Tavares
(Jornalista e escritor português)
Faz um certo e profundo sentido!
Parabéns pelo blog... tá muito bacana.